A Custódia de Belém é um ostensório (peça de ourivesaria usada em actos de culto da Igreja Católica Romana para expor solenemente a hóstia consagrada sobre o altar ou para a transportar solenemente em procissão) de ouro e esmalte datado de 1506 cuja autoria é atribuída ao ourives e dramaturgo Gil Vicente que durante três anos aplicou o seu saber e arte na mais bela peça de ourivesaria portuguesa. Esta peça teria sido encomendada por D. Manuel I. O Rei pretendeu homenagear Nossa Senhora de Belém pelas vitórias alcançadas na conquista de novos mundos, deixando este tesouro em testamento ao Mosteiro dos Jerónimos em Belém.
De inspiração gótica, com muito detalhe, na sua manufactura foram utilizadas 500 moedas de ouro (cerca de 7 quilos) trazidas por Vasco da Gama no regresso da sua segunda viagem à Índia em 1503. Originalmente com 76 cm de altura, composta em baixo por Deus Pai sentado num trono que numa mão segura o globo e com a outra faz o gesto da bênção. Este era rodeado por seis pequenas imagens de que só restam três profetas. Sobre o viril pende uma pomba, símbolo do Divino Espírito Santo. No centro, rodeando o viril de cristal onde era exibida a hóstia consagrada estão as figuras dos Doze Apóstolos
Em 1620 esta histórica peça foi alterada, retirando-lhe o hósteário de cristal, que foi substituído por outro em prata dourada, elevaram-na em 10 cm e acrescentaram 993 g de prata em ajustes e alterações. Durante mais de 400 anos assim se manteve e só no início do século XX, e depois de um exaustivo trabalho de investigação, procedeu-se dentro do possivel às alterações necessárias para voltar à forma original. Esta peça voltou a ser restaurada por especialistas pois estava a sofrer grandes problemas de conservação que ameaçavam a sua integridade.

























